Notícias do dia

BES ADIADO

RICARDO SALGADO

A primeira sessão do julgamento do processo do BES foi adiada de 28 de maio para 18 de junho deste ano. Este adiamento resulta do facto de um dos arguidos sujeitos a TIR ter sido notificado em 4 de março. Ricardo Salgado é o principal…

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Há procuradores no Tribunal de Vila Franca de Xira com mais de mil processos em mãos

Carência de funcionários e excesso de trabalho vai repercutir-se na qualidade da justiça prestada ao cidadão no Tribunal de Vila Franca de Xira. O presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público disse a O MIRANTE nunca ter visto um tribunal tão mau como o de VFX.

No Tribunal de Vila Franca de Xira os 17 procuradores do Ministério Público (MP) que ali trabalham estão atolados em processos, passam horas fechados em salas minúsculas e com poucas condições e alguns têm em mãos mais de mil processos, quando o valor de referência processual não deveria ser superior 600. Uma sobrecarga de trabalho que para Adão Carvalho, presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, representa um desrespeito da tutela para com todos os que trabalham naquele tribunal. “Estamos muito preocupados com esta situação”, confirma, lamentando que numa visita recente ao Tribunal de VFX se tenha deparado com condições que o assustaram. “É um tribunal que tem tudo de mau, desde as condições do edifício à falta de magistrados e funcionários. Cada um tem acima de mil inquéritos, o que impede que se faça um trabalho com um mínimo de qualidade e com grande desgaste para os magistrados que ali exercem funções”, critica a O MIRANTE. O dirigente sindical teme que a falta de magistrados no tribunal só possa ser remediada nesta fase com a afectação de mais funcionários judiciais que possam ajudar no serviço. “O problema da falta de magistrados tem a ver com o facto dos recursos serem escassos e resulta de uma falta de investimento de anos e para a qual não se prevê uma solução a curto prazo. Estamos longe de estabilizar o quadro de magistrados de forma a que se possa responder a essas situações”, avisa. Um estudo recente encomendado pelo sindicato e a Procuradoria Geral da República sobre o desgaste profissional dos magistrados já colocara a nu algumas das situações que se estão a passar em Vila Franca de Xira e na Comarca de Lisboa Norte, que engloba os tribunais de Vila Franca de Xira, Alenquer, Loures, Lourinhã e Torres Vedras. “Para mim, VFX foi das situações que mais me impressionou no país quando visitei esse tribunal. E fiquei preocupado porque há colegas novos na carreira que vão parar ao tribunal de VFX, ainda numa fase inicial da profissão e são confrontados com um estado de coisas assustador, com as implicações que tem, a nível da saúde física e mental. E o risco que isso comporta para a qualidade do serviço prestado aos utentes”, lamenta Adão Carvalho.

Mais de 44 mil inquéritos-crime num ano Também a coordenadora do MP na Comarca de Lisboa Norte, Maria de Lurdes Correia, veio a público na última semana alertar para as carências sentidas em todos os tribunais daquela comarca, que desde 2014 tem um tecto máximo de 69 procuradores afectos ao serviço mas entre baixas médicas e licenças parentais acabam por só estar a trabalhar 58 magistrados nos cinco tribunais. “Estamos a falar de uma comarca com características muito suburbanas, com vários grupos étnicos diferentes e pessoas de estratos sociais também muito diferentes, uma camada de jovens com problemas de delinquência juvenil e com uma faixa bastante significativa de problemas de saúde mental”, detalhou a também Procuradora-Geral Adjunta. No último ano, entre casos novos e outros que vieram do ano anterior, passaram pela mão de 21 procuradores da Comarca de Lisboa Norte afectos à investigação criminal 44.373 inquéritos-crime, sendo que Maria de Lurdes Correia teve de atribuir novos inquéritos-crime a procuradores que estavam a acompanhar fases de julgamento para ajudar a dar andamento à tramitação processual.

Falta de funcionários abaixo do limite mínimo

A presidência do Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa Norte denunciou entretanto, no final da última semana, que os serviços do tribunal estão a alcançar o ponto de rotura por falta de funcionários. Um alerta que vai ao encontro de um comunicado do Sindicato dos Funcionários Judiciais, que voltou a avisar que várias secções já estão a trabalhar “abaixo do limite mínimo para assegurar um serviço de qualidade”, como acontece em Vila Franca de Xira. Dos 258 que deviam estar ao serviço estão 216 e no que toca ao Ministério Público de um quadro de 99 funcionários estão apenas 73 em funções, como O MIRANTE já dera nota anteriormente.

A Associação Casa dos Beirões no Ribatejo, fundada em 2000, tem como objectivo principal a conclusão da construção do complexo social na urbanização do Casal do Pereiro, na localidade do Grainho, em Santarém. Colectividade tem quase um milhar de sócios.

Presidente da Câmara de Santarém admite que é com alguma mágoa que constata as reacções negativas às suas publicações nas redes sociais a divulgar eventos taurinos.

A rua Miguel Arnide vai contar com um miradouro com vistas sobre a Serra d’Aire e outros pontos da cidade de Torres Novas. Empreitada vai resultar de um investimento de 175 mil euros.

Edifício devoluto vai ser recuperado para ser disponibilizado em arrendamento a custos acessíveis. Obra está orçada em 160 mil euros e é financiada pelo PRR.

Comissão Técnica Independente apontou no relatório final que a opção Aeroporto Humberto Delgado + Santarém pode ser uma nova solução aeroportuária.

A propósito do Dia Mundial da Justiça Social fomos falar com brasileiras que vieram para Portugal com a esperança de uma vida melhor.

O superintendente Luís Serafim já tomou posse como comandante da PSP no distrito de Santarém. Entre diversos outros cargos de liderança, foi comandante do Corpo de Intervenção da Unidade Especial de Polícia.

Participam estudantes e professores do ensino superior da Alemanha, Áustria, Bélgica, Lituânia e Portugal.

Mais um ano se passou sem que os tribunais conseguissem dar resposta ao drama em que vive Ricardo Cupertino, morador do Forte da Casa, que foi despedido pela junta de freguesia depois de perder as duas pernas num acidente.

Carência de funcionários e excesso de trabalho vai repercutir-se na qualidade da justiça prestada ao cidadão no Tribunal de Vila Franca de Xira. O presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público disse a O MIRANTE nunca ter visto um tribunal tão mau como o de VFX.

“Barbaridade”, “ideia péssima” ou “obra atamancada” são algumas das queixas que se ouvem em tom de voz elevado.

Vereador do movimento Alternativacom apresentou dados que colocam o concelho de Abrantes com um défice de 43% na atribuição de médicos de família aos utentes e deixou sugestões que não agradaram ao presidente do município.

Ao ler o vosso artigo: “Reduzir poluição dos transportes é o maior desafio ambiental em Vila Franca de Xira”, fui alertada para um assunto deveras problemático.

Um homem de 44 anos foi detido no concelho do Cartaxo após ser apanhado a pescar ilegalmente meixão, tendo-lhe sido apreendidos 2,2 quilos de enguias juvenis que foram devolvidas ao rio

Versão final do relatório da Comissão Técnica Independente admite um aeroporto em Santarém, mas mantém como opção mais viável e vantajosa o Campo de Tiro em Samora Correia.

Helena Sacadura Cabral esteve na Biblioteca Municipal António Botto, em Abrantes, para apresentar o seu último livro “Pensar Olhar Viver”. Cerca de uma centena de pessoas quis ouvir a escritora e economista que falou da sua vida e partilhou algumas histórias com o público. O MIRANTE falou com algumas pessoas que admiram a escritora e lamentam que os mais novos leiam cada vez menos.

Homem de 35 anos exercia violência física e psicológica sobre a companheira.

Subida do caudal não permite às viaturas atravessarem a Estrada do Campo. Um automobilista arriscou e ficou atolado.

No dia 1 de Março, no limite do calendário definido para a transferência de várias áreas para as comissões de coordenação regional, a Direcção Regional de Agricultura e Pescas de Lisboa e Vale do Tejo, que tinha como maior área a do distrito de Santarém, foi absorvida pela Comissão de Coordenação Regional de Lisboa e Vale do Tejo.

Marco Gaspar, bombeiro voluntário em Vila Nova da Barquinha, faleceu aos 44 anos durante o trabalho em Espanha.

Centenas de utentes da Unidade de Saúde Familiar (USF) Villa Longa, de Vialonga, que eram seguidos pelo clínico Medina do Rosário, podem ficar sem médico nos próximos dias.

Entre as prioridades inscritas no abaixo-assinado promovido pela Comissão de Utentes da Saúde do Médio Tejo estão o funcionamento das urgências 24 horas por dia, o reforço de profissionais de saúde e a reabertura das extensões de saúde encerradas ou sem cuidados médicos.

Em causa novos incumprimentos na limpeza e manutenção de espaços verdes da zona sul do concelho. É a segunda penalização num espaço de poucos meses.

Unidade de saúde que em tempos foi uma referência no modelo de gestão de parceria público-privada foi agora arrasada juntamente com os outros hospitais pelo Conselho de Finanças Públicas. Administração do Hospital de Vila Franca de Xira justifica contas no vermelho com o investimento realizado em novos equipamentos.

Município de Vila Franca de Xira celebrou Dia da Protecção Civil no Pavilhão do Cevadeiro com demonstrações e exposições abertas a toda a comunidade. Riscos climáticos são as maiores preocupações para o futuro.

Moradores do Casal do Freixo dizem estar saturados de propostas de gabinete e querem técnicos da Câmara de Vila Franca de Xira no bairro para encontrar soluções estruturadas para os problemas de trânsito. Município diz que não tem pedidos de reunião e que os arruamentos previstos no loteamento estão concluídos.

Presidente da Câmara de Tomar diz que ainda não tem informações concretas sobre a gestão e os problemas que têm existido na Barragem do Carril. Agricultores temem problemas nas culturas por causa da falta de água para regadio. Direcção Regional de Agricultura e Pescas adiantou que fornecimento de água está impedido até reparação da conduta.

Desconhecem-se ainda as causas do incêndio

O MIRANTE esteve na Feira de Educação, Formação e Empregabilidade do Entroncamento e conversou com alguns alunos que partilharam a sua visão sobre a educação e a realidade profissional em Portugal.

A Unidade de Dor Crónica da ULS Lezíria tem como missão principal a melhoria da capacidade funcional e da qualidade de vida dos doentes com dor crónica.

Automóvel embateu contra um pinheiro na Estrada dos Alemães, que liga Foros de Almada (Santo Estêvão) a Benavente.

Projecto tem como objectivo apoiar a criação de identificação e acompanhamento de pessoas que se encontrem em situação mais vulnerável.

Por ano são doadas centenas de livros a bibliotecas municipais que, após revisão, são integrados na oferta disponibilizada ao público. Há quem faça pequenas doações e quem deixe de herança o espólio da sua biblioteca particular. A propósito do Dia Internacional da Doação de Livros O MIRANTE foi conhecer alguns exemplos na região.

Presidente da Câmara enfatizou que a implementação de 12 postos de carregamento eléctrico visa reforçar as estruturas já existentes em Ourém e Fátima, nomeadamente em estabelecimentos comerciais locais.

Contratação de empréstimo de 3 milhões de euros foi aprovado por unanimidade na Câmara de Benavente.

O espectro do autismo caracteriza-se por dificuldades significativas na interacção social e na comunicação não-verbal, além de padrões de comportamento repetitivos e interesses restritos.

Verbas e apoios logísticos visam várias iniciativas que se vão realizar ao longo do ano

Protecção Civil Municipal de Santarém diz que nos casos identificados são situações ligeiras e que os próprios proprietários já procederam à sua recuperação.

10ª edição da APHELEIA realiza-se em Mação entre 13 e 22 de Março onde vão debater temas relacionados com Filosofia e Ciências Humanas. APHELEIA teve origem num projecto financiado pela União Europeia e, em 2018, transformou-se numa associação internacional que se tornou membro do conselho internacional de Filosofia e Ciências Humanas.

O presidente da direcção da Associação Industrial Portuguesa – Câmara de Comércio e Indústria, José Eduardo Carvalho, foi reeleito para novo mandato e afirma-se com energia renovada para continuar a trabalhar na defesa do tecido empresarial. ?

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Democracia e liberdade de expressão

Nos artigos que escrevi procurei contribuir para o esclarecimento dos cidadãos quanto às questões da justiça e foi esse o único objetivo
O último artigo de Adão Carvalho para a VISÃO

O SMMP vai ter eleições para os órgãos sociais, no próximo dia 16 de…

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A mentira de Sousa Tavares

Eduardo Dâmaso, Diretor-geral editorial adjunto

Miguel Sousa Tavares empreendeu, há décadas, uma longa guerra contra o Ministério Público (MP). Não me interessam as suas razões, nem as suas opiniões sobre o tema. Tem direito a elas e são irrelevantes …

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Juízes divididos entre norte e sul na disputa pelo sindicato

Licínio Lima

MAGISTRATURA

Magistrados judiciais vão eleger no dia 16 novos dirigentes para a Associação Sindical dos Juízes Portugueses. Duas vias entram na corrida: a lista A, conotada com o norte, de postura mais sindicalista, e a lista B, do sul, que quer a continuidade e tem apoio do presidente cessante

E uma magistratura judicial dividida entre o norte (lista A) e o resto do país (lista B) a que se prepara para eleger no dia 16 novos dirigentes para a Associação Sindical dos Juízes Portugueses (ASJP). Mas esta divisão interna é um assunto arre dado do debate porque muito maior é o fosso externo a separar juízes e procuradores, após os processos da Operação Influencer e da Madeira. Este ano, também o Sindicato dos Magistrados do Ministério Público (SMMP) vai ter eleições. Depois de assentes os novos dirigentes será tempo de reaproximações para resolverem problemas comuns.

A lista A é encabeçada pelo juiz desembargador Nuno Matos e apresenta-se com o lema “Pela Independência: Unir e Dignificar’. Embora colocado no Tribunal da Relação de Lisboa (TRL), Nuno Matos é um magistrado do Norte, muito conhecido e influente, co notado ainda com a linha dura de Noronha Nascimento, o antigo presidente do Supremo Tribunal de Justiça, que também foi vice-presidente do Conselho Superior da Magistratura – órgão de gestão e de disciplina dos juízes – e também presidente da ASJP, instituição que está quase a comemorar 50 anos. De Noronha Nascimento se dizia que tudo na magistratura se decidia nas viagens de comboio entre Lisboa e Porto, local de residência, sempre acompanhado dos seus mais fiéis colaboradores. Era o Norte que então manobrava os “cordelinhos” da magistratura judicial, com uma ASJP bastante dominada pelo CSM.

A história da judicatura altera-se a partir de 2006 com a eleição do juiz António Martins, atual vice-presidente do Tribunal de Contas (aqui escolhido pelos pares), para presidente da ASJP, tendo como secretário-geral Manuel Soares, o agora presidente cessante.

A entrada em campo destes dois magistrados foi crucial para a judicatura. Era na altura primeiro-ministro José Sócrates que, logo no início, além de ter alterado as férias judiciais, por achar que os magistrados tinham férias a mais (a medida acabou pouco tempo depois, a pedido dos próprios advogados), pretendeu também “funcionalizar” a magistratura. enquadrando-a na lei dos vínculos e remunerações dos funcionários públicos, em 2007. A lei de Sócrates acabaria por ser declarada inconstitucional, mas os embates com o governo, com impacto também nas negociações desenvolvidas depois para a reforma do estatuto dos magistrados judiciais, que se pensava iria acontecer com um pacto para a justiça (parlamentar) entre PS e PSD (assinado e desfeito em pouco tempo), fizeram com que a ASJP se afirmasse no panorama do mundo judiciário, tomando-se um “osso duro de roer” para José Sócrates, ao mesmo tempo que o CSM perdia o poder de influência, deixando para a associação os braços-de-ferro com o poder político. Foi quando a influência do Norte começou a decair, desaparecendo, praticamente, com a segunda eleição da dupla António Martins/Manuel Soares, em 2009. Também o movimento Justiça Independente, liderado pelo juiz Alexandre Batista, que chegou a a presidir a ASJP numa linha de continuidade com o passado, acabou por sucumbir.

Continuidade ou rutura

António Martins, com toda a direção envolvida, implementou uma nova dinâmica de intervir e de comunicar. A ASJP contratou pela primeira vez um profissional para assegurar a ligação aos jornalistas, com êxito – ainda hoje se mantém a mesma pessoa. Este exemplo estendeu-se depois a outras áreas judiciárias.

Em 2018, Manuel Soares candidata-se à presidência da ASJP, tendo sido reconhecido pelo trabalho realizado com António Martins, vencendo facilmente as eleições. Em 2021 voltou a recandidatar-se, mas a vitória já não foi tão fácil. A lista adversária venceu no norte, tendo conquistado a Direção Regional Norte, liderada nos últimos três anos pelo juiz Maximiano do Vale.

Maximiano do Vale aparece agora na lista A como vice de Nuno Matos, querendo alargar a todo o território a influência que têm no norte, apresentando ambos um programa muito focado nos problemas internos dos juízes, bastante reivindicativo, ao estilo sindical, criticando a atual direção, apoiante da lista B, por ter sido muito interveniente no espaço público, surgindo frequentemente na comunicação social, e por se ter mostrado não tão atenta aos problemas laborais e pessoais dos juízes.

A lista B, com o lema “Lado a Lado com os Juízes – Proximidade e Independência”, é liderada pelo juiz desembargador Francisco Moreira das Neves, muito conhecido nos Açores, mas sem o poder de influência detido a norte pelo líder da lista A. De todos os modos, tem a chancela da atual direção. Manuel Soares declarou esse apoio de forma direta e contundente: “Uma associação com a dimensão e nível de exigência da ASJP não pode ser dirigida à distância, por colegas que nunca lá entraram, que não participaram em qualquer evento associativo e que nem os funcionários conhecem.”

Os juízes, no dia 16, terão de escolher entre a continuidade e a rutura. Mas há desafios que, independentemente de quem ganhe, são hoje focos de preocupação. Por um lado, a necessidade de os juízes voltarem a sentir uma ligação forte ao tribunal, aos funcionários judiciais, às pessoas que procuram a justiça. Com a pandemia, os juízes começaram a quebrar a ligação ao órgão de soberania, trabalhando mais a partir de casa. Por outras palavras, “já não querem saber tanto do que se passa na domus justitia e”. Por outro lado, há a necessidade de se reacender o orgulho de ser juiz, de sentir o reconhecimento social, a honra e dignidade de ser titular de um órgão de soberania. Acontece que, ultimamente, as vagas no Centro de Estudos Judiciários ( CEJ) para novos auditores nunca são totalmente preenchidas. O que está a acontecer nas polícias está também a verificar-se na magistratura. A profissão, sendo das mais bem pagas no Estado, está a perder atratividade. Sendo menos os candidatos, a qualidade dos mesmos também diminui, com consequências na qualidade da justiça. A ASJP terá de se preocupar com tudo isto. E o SMMP também.

Manuel Soares serviu a ASJP durante 12 anos

O juiz desembargador Manuel Soares deixa a Associação Sindical dos Juízes Portugueses após 12 anos de serviço: seis como secretário geral (2006-2012) e outros tantos como presidente (2018-2024). Se somarmos os seis em que foi vogal no Conselho Superior da Magistratura, poderá concluir-se que Manuel Soares detém conhecimento inigualável do mundo judiciário. Nestes últimos seis anos, os juízes estiveram sempre serenos, mas nunca desinteressados nem afastados do debate público. Atendendo a que tem apenas 60 anos, e com tanta bagagem, questiona-se: o que irá fazer a seguir? Há quem, nos meandros políticos, o aponte para futuro procurador-geral da República. Lista A

Independência: Unir e Dignificar

Nuno Matos

No momento conturbado que vive a justiça, o sentimento generalizado dos juízes vai no sentido de reconhecer a dificuldade em fazer passar a mensagem, claramente genuína, de que os tribunais existem para servir os cidadãos, sendo os juízes os primeiros interessados na melhoria do sistema. Centrar a análise da justiça na discussão de casos concretos é não reconhecer que, por dia, são feitos milhares de julgamentos e outras diligências, sem que seja apontada qualquer anomalia ao sistema de justiça, o qual, afinal, não está quase a implodir.

A “reforma da justiça”, que se impõe, deve ser ponderada, transversal e com o contributo das várias profissões jurídicas, saberes e forças políticas. O papel da Associação Sindical dos Juízes Portugueses ( ASJP) é relevante porque lhe cabe, estatutariamente, promover a dignificação do poder judicial.

A par da defesa dos direitos profissionais dos juízes (a profissão de juiz assenta numa carreira permanente e exclusiva), a ASJP deve pugnar pela melhoria do próprio sistema, seja na componente humana (com destaque para os fúncionários judiciais, peça fundamental no regular desempenho da administração da justiça), seja na componente legislativa (intervindo nas políticas públicas de justiça), seja na componente logística (p. ex„ as instalações e o sistema informático). Daí a importância do ato eleitoral que se aproxima (eleições para os órgãos sociais da ASJP, no dia 16 de março), ao qual apresentamos uma candidatura como lema “Pela Independência: Unir e Dignificar”.

Juiz desembargador Lista B

Proximidade e Independência

F. Moreira das Neves

O lema da Lista B, “Lado a Lado com os Juízes – Proximidade e Independência”, sintetiza de modo feliz o que propomos. Temos orgulho na história da ASJP e revemo-nos, no essencial, no modo como foi dirigida nos últimos anos, passando a ser mais escutada e respeitada no espaço público e junto dos órgãos do Estado. E isso não é pouco – é muito, sendo, deveras, o maior ativo dos juízes.

Integramos a corrente do associativismo moderno, simultaneamente agregador, consequente e influente, virado para as soluções e os compromissos, considerando ser o mais ajustado ao estatuto dos juí zes. Tal não significa o abandono da vertente sindical clássica, pois que sendo necessário – como já foi -, não enjeitaremos o uso dos instrumentos poderosos do movimento sindical.

Neste momento preocupamos a degradação das condições de trabalho, em razão da degradação do edificado, dos equipamentos, da vetustez de um sistema informático desadequado a um sistema de justiça moderno, mas também alguns aspetos organizacionais (escassez e desmotivação de meios humanos – juízes e funcionários), comprometedores da independência interna e externa do poder judicial.

Arrelia-nos sobremaneira a existência de interferências gestionárias indevidas e a desmotivação e escassez dos funcionários judiciais – essenciais ao regular funcionamento da justiça. Estamos já num patamar perigoso, pois sem funcionários em número suficiente, motivados e com uma carreira digna, o poder judicial poderá ficar paralisado.

Juiz desembargador Dois cafés e a conta

Dividido entre duas paixões, a vida levou Frederico Falcão a optar pelo vinho, mas nunca deixou verdadeiramente para trás a informática, que o fazia usar os jogos de ZX Spectrum para descobrir código e o recriar à sua medida. Essa veia foi-lhe valendo alguns créditos no percurso que o levou das vinhas à promoção dos vinhos que se fazem em Portugal. Quando a missão na Vini Portugal estiver cumprida? É quase certo que fará um vinho com a sua assinatura. E é bem provável que o case com um prato gourmet, como os que testa na cozinha lá de casa Frederico rGalcaãaao

Atrás da paixão do vinho há um cozinheiro de mão cheia

Joana Petiz

jpetiz@medianove.com

Esta podia ter sido uma conversa sobre digitalização, inteligência artificial e novas tecnologias. Assim tivesse calhado em sorte ter entrado em Informática, em vez de ser colocado em Castelo Branco, na licenciatura em Engenharia Agrícola, que viria a cumprir em Évora. A verdade é que Frederico Falcão tinha paixão em doses iguais pelo campo e pela informática Ri-se da improbabilidade de apreciar áreas tão distintas – justifica-se pela herança ribatejana e pela naturalidade com que sempre trabalhou os números, vocação que só não lhe rendeu sempre nota 20 porque a facilidade da Matemática o levava a alguma irascibilidade nas aulas do liceu – “o 12Q foi uma desgraça…’, confessa a rir-se da recordação desses anos em que decidiu preencher as opções de candidatura à universidade intercalando cursos de Informática e de Agronomia. “Eu não sou bipolar, mas tive um processo de decisão um bocado estranho, porque adorava programação e tecnologias mas também sempre gostei imenso de agricultura”, diz-me, logo sublinhando que o que lhe agradava era especificamente o vinho e o azeite – as hortícolas e os cereais aborreciam-no.

Talvez embalado pelas vinhas que a avó tinha na Chamusca onde nasceu e viveu até aos dois anos, antes de se mudar para a Abrantes natal do pai, e onde passava todos os fins de semana que não faziam em Montargil, onde a família também herdara uns hectares de castas, Frederico diz-se apaixonado por vinhos desde que teve idade para beber. E foi nas vinhas que teve o primeiro trabalho, ainda adolescente. “Queria ganhar o meu dinheiro e pedi à minha avó para ir para as vindimas, num verão. Era trabalho duro. E lembro-me até hoje de como me soube a primeira Coca-Cola que comprei com o salário que recebi’, conta.

À mesa d’O Madeirense, onde Manuel Fernandes logo nos fez sentir em casa, Frederico vai-me contando a rotina diária que, quando não anda de malas aviadas, cumpre quase religiosamente, a começar pelo pequeno-almoço demorado ao romper da primeira luz do dia: tonadas de pão de massa mãe com azeite, fruta e iogurte, empurrados com as noticias do dia, antes de entrar na roda-viva de quem tem a missão de afirmar os vinhos portugueses pelo mundo.

Pedimos filetes de espada grelhados, com banana e batata-doce. E porque não podia faltar vinho nesta mesa, a escolha cabe obrigatoriamente ao especialista: um alvarinho João Portugal Ramos, a estalar de fresco que dá o mote para a conversa. À frente da Vini-Portugal há quatro anos e com o currículo sempre preenchido no sector vitivinícola – foi ele que levantou a Companhia das Lezírias, depois de se estrear na Herdade do Esporão -, explica com facilidade as razões por que as exportações de vinho estão a viver um momento de algum recuo, tendo caído em volume e em valor apesar de Portugal e tudo quanto aqui se produz estarem globalmente na moda e serem hoje reconhecidos pela grande qualidade. “Ganhámos em preço médio, mas caímos, pela primeira vez em muitos anos (1,16%), ainda que muito menos do que os de outros países.” É efeito do arrefecimento eco nó mico, da subida das taxas de juro e de alguma contenção consequente no consumo pela Europa, mas também da desvalorização do kwanza em Angola e do acerto de stocks na América do Norte, depois do boom de compras motivado pela pandemia. O que o faz crer que a recuperação da tendência positiva seja retomada já neste ano – com particular relevância dos brancos, rosês e espumantes, e relevo nas regiões de Verdes, Lisboa Alentejo e Douro. À boleia do turismo, o país tem ganho destaque ainda maior nos vinhos, que aqui emparelham como em mais nenhum lugar o preço perfeitamente comportável para os estrangeiros e uma qualidade acima da média, além da incrível diversidade de propostas, castas, regiões e géneros. Essa que é a nossa maior força é também identificada por Frederico Falcão como uma das maiores dificuldades na afirmação dos nossos vinhos lá fora: “É o que chamamos world of differences, que traduzo por mundo de diversidade, e que toma a descrição do vinho português uma impossibilidade prática. E os nomes complicados que damos às castas também não ajudam”, ri-se. para logo elogiar o trabalho de descoberta e catalogação de castas aqui feito. “Temos uma diversidade incrível, guia-se uma hora e muda tudo – as castas. os solos, os climas, a comida, a paisagem – e esse património genético gigante que nos toma líderes mundiais está todo estudado, com marcadores genéticos, e preservado; o que falta fazer é o estudo enológico e vitivinícola dessas castas”, explica, revelando toda a ciência que se esconde dentro de cada garrafa.

Frederico conhece aquilo de que fala como a palma das próprias mãos. Foi ao vinho que dedicou toda a vida, desde o Esporão, onde começou em 1995, mal acabou o curso. Nessa herdade, era o terceiro na linha, cabendo-lhe logo a certificação dos sistemas de qualidade, enquanto fazia uma perninha na enologia e geria todo o sistema de rega, ao mesmo tempo que ensaios de viticultura e algumas consultorias. Mas queria ter oportunidade de traçar ele próprio o perfil dos vinhos e ainda que não procurasse, a oportunidade surgiu ao fim de seis anos, em que ainda teve a chance de dar os primeiros passos no azeite, com o projeto de estreia de olivicultura do Esporão.

A virar o milénio, a sua região chamava-o de volta a casa: a Companhia das Lezírias entregava-lhe um desafio de 90 hectares de vinha emparelhado com a instalação de um novo negócio de azeite, em 80 hectares de olival. Era a oportunidade de ser o número um na estrutura e abraçou o desafio com gosto, conseguindo em 12 anos pôr no mapa uma empresa até então praticamente desconhecida, criando uma nova adega da sua cabeça e em simultâneo prestando apoio enólogo a projetos independentes e à Comissão Vitivinícola Regional do Tejo. “Nem sei como tinha tempo para tudo em que me metia”, ri-se, “mas foram tempos muito giros”.

Sem grandes planos, talvez ainda ali permanecesse, não fosse ser desinquietado, em plena crise financeira, com o convite de um desconhecido para almoçar: o então secretário de Estado da Agricultura. José Diogo Albuquerque, ouvindo do sector o melhor sobre o percurso e o carácter de Frederico Falcão, convidava-o para a primeira missão “política” da sua vida: liderar o Instituto da Vinha e do Vinho. Apesar de inesperado, a complexidade da tarefa seduziu-o.- seria o tempo de aprender o lado mais institucional do seu negócio e olhando para trás vê ainda a sua marca quer na legislação quer na gestão informática do sector que redesenhou do zero – chegando ao ponto de tirar uma formação em Java para entender e poder falar a linguagem dos programadores. Não foi fácil, mas também não seria a coisa mais complexa do mundo para quem, em adolescente, explorava o código das dezenas de jogos do seu ZX Spectrum e se divertia a fazer experiências que resultaram até na criação de alguns.

Porque a vida de Frederico parece fazer-se em ciclos de seis anos, quando essa temporada chegou ao fim. e após uma breve passagem pela Bacalhôa – convidado para CEO, decidiu afastar-se mal percebeu que não seria vetdadeiramente ele a tomar as decisões de gestão, mas os acionistas -, abraçou as atuais funções na promoção dos vinhos portugueses pelo mundo. Mas não esqueceu nem arrumou o tempo de pôr as mãos na massa. “Um enólogo tem sempre o bichinho de fazer um vinho, não escondo essa vontade”, admite. “Mas assumi um compromisso pessoal de não o fazer, fosse em nome próprio fosse para uma marca.

enquanto a minha função for a de representar todo o sector.” É uma questão de separação das águas, de princípios éticos pouco usuais nos tempos que correm. Até lá. vai comprando, experimentando e armazenando; tem mais de 500 vinhos em casa, que vai bebendo a solo ou em provas cegas com amigos.

Terá oportunidade de o fazer – talvez até um espumante, o seu preferido -, bebendo do valor das vinhas da família e das memórias de uma infância passada no campo, entre cavalos, toiros e vinhas, temperadas com os tradicionais verões passados na Figueira da Foz. Desse tempo de miúdo, Frederico guarda as melhores recordações, e ri-se com vontade quando diz que foi duro sobreviver a uma infância em que ele, entre a irmã mais velha e o irmão mais novo, desciam ribanceiras em carrinhos de rolamentos, se atreviam a passar tardes a usufruir das casas por eles construídas em árvores ou se lançavam de chapéu de chuva em punho dos telhados, numa não tão suave imitação da célebre Mary Poppins.

Se a namorada de faculdade o afastou de ser forcado – a mãe dos filhos, Frederico, de 15 anos, e Madalena, nove, vivia em Coimbra, e preferia passar com ela o pouco tempo que tinha -, tem no currículo familiar a tauromaquia, pelos sobrinhos Ribeiro Telles, e a caça, herança do avô Falcão. Mas é dos fados que fala com maior carinho, lembrando a avó poetisa cujos textos eram cantados por João Ferreira Rosa e outros em tertúlias caseiras, o igulhando-se do padrinho de batismo, o fadista António Mello Corrêa. Quanto a Frederico, só se atrevia a cantar nos serões mais animados dos anos universitários, quando as noites se faziam longas e arriscava o Senhor Vinho. “Era receita para acabar a noite”, ri-se.

Já com os cafés na mesa, Frederico confessa-me uma nova paixão, que ombreia com a informática e complementa o mundo dos vinhos e desses serões de amigos: “Adoro cozinhar” E rapidamente desengana quem julga que faz comida de tacho: antes tenta recriar o que vai provando nos restaurantes Michelin que consegue ir visitando. “Com o divórcio, comecei a dedicar-me mais e faço muitas coisas, mais gourmet.. e claro, sempre fazendo a harmonização com vinhos.” Insisto em saber que pratos são os seus campeões e a resposta envergonha qualquer comum mortal: “Faço um crèm e brúlée de fois gras delicioso.” Depois justifica-se com as experiências na cozinha – que o levaram a comprar um equipamento de cozedura de peixe a baixa temperatura e em vácuo -, garante que fez “imensos erros técnicos”, mas por fim lá admite que não há dia que não adormeça a ver canais de culinária e que é frequente inspirar-se no que lhe passa pelos olhos ou pelo palato. Como um tártaro de carne recriado a partir do que comeu em Florença, os cornetos de salmão e atum, ou o peixe envolvido em esparguete-batata em fritura, servido em cama de agrião baby Entre a modéstia e o entusiasmo, antes de nos despedirmos ainda deixa a sobremesa: “Também faço uns chocolatinhos que são um sucesso na Vini Portugal: bombons de chocolate negro com arroz tufado, flor de sal e caramelo.” O vinho que vier a ser, em tinto, branco e espumante – e que até já tem marca registada, Paradoxo -, pode bem ganhar um prato de assinatura para se valorizar, pela mão de Frederico Falcão. Aguardemos.

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Rui Pinto vai a julgamento por 242 crimes, sendo amnistiado em 134

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